O blog “O Corpo Fotografado” é um espaço de divulgação do trabalho que estamos realizando na oficina de fotografia com esse tema, junto aos estudantes de medicina da Universidade do Estado de Pernambuco-UPE.

Como reflexão inicial desses primeiros passos que estamos dando na busca de entender a relação entre o olhar fotográfico e o corpo como um “espaço” de muitas narrativas, e a própria fotografia também como possibilidade gerar um discurso, proponho uma pergunta inicial: se partilho socialmente de uma representação de meu próprio corpo, como posso narrá-la através do discurso fotográfico?

Do ponto de vista filosófico, o corpo representa, entre outras coisas, o nosso estar-no-mundo. Através do corpo, das diversas sensações sentidas através dele e nele, através de sua fragilidade física (como o limite da morte e da enfermidade, por exemplo), experimentamos certa objetividade do corpo, ou seja, sentimos objetivamente que temos um corpo. O corpo, por tanto, nos situa no mundo de muitas maneiras.

Mas não somos somente nosso corpo, e por isso o corpo não é somente o “lugar” de uma objetivação. Na vida prática/cotidiana ele representa algo para além de um objeto e de uma objetividade. Há sensações e sentimentos que sentimos nele e através dele que não sabemos como descrever, mas igualmente sabemos que estão lá. Complementário a isso, também podemos perceber no outro algo de sua “subjetividade”, através de suas expressões corporais, que são passíveis de uma leitura no que toca nossa própria subjetividade.

O papel da fotografia, nesse caso, entra como aquele elemento que representa essa subjetividade do olhar humano, aquilo que representa nossas percepções, e é também um instrumento através do qual “registramos” nossas próprias representações sociais, seja pela captação espontânea de um momento particular (em um momento de descontração como numa festa, por exemplo), seja pela reconstrução de um momento que o fotógrafo deseja simular/repetir a fim tornar visível para o outro sua percepção de mundo, e isso implica o que se compreende aqui por “representações sociais”, pois a compreensão parcial de um objeto de arte só é possível porque partilhamos socialmente de certos códigos que assimilamos ao longo de nossas vidas e que nos permite essa comunicação visual.

Ref. Bibliográfica

  • ALEXANDRE, Marcos (2004). Representação Social: uma genealogia do conceito. Em: Revista Comum, – Rio de Janeiro – v.10 – nº 23 – p. 122 a 138 – julho/dez.
  • JEUDY, Henri Pierre (2002). O corpo como objeto de arte. São Paulo: Estação Liberdade.
  • VAZ, Henrique Claudio de Lima (1991). Antropologia Filosófica I. São Paulo: Loyola.
  • WARR,Tracey (2006). El cuerpo del artista. Phaidon.

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